O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, reagiu nesta sexta-feira (18) às declarações de Donald Trump sobre o Brasil, classificando organizações criminosas brasileiras como terroristas e afirmando que o Brasil não consegue enfrentar as facções.
A declaração de Lula ocorreu durante um evento oficial no Rio de Janeiro que reuniu a cúpula da segurança pública das esferas federal, estadual e municipal.
Contexto e resposta de Lula
Lula afirmou que não aceita a ideia de que as facções são terroristas, conforme disse Trump. Ele explicou que, ao falar em terrorismo, Trump refere-se a terrorismo de Estado e citou supostos planos ligados ao então governo de Jair Bolsonaro para causar instabilidade política e, segundo o relato, tentar ferir Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. O ex-presidente Bolsonaro foi condenado, em março deste ano, a 27 anos e três meses de prisão por diversos crimes, incluindo a acusação de planejar matar Lula e Alckmin.
Foco em segurança e áreas de atuação
Lula ressaltou a necessidade de reforçar a vigilância na região da margem equatorial, no norte do país, e no pré-sal, áreas com exploração de petróleo. Ele afirmou que o Brasil precisa retomar territórios ocupados por traficantes no Rio.
Convênios e ações previstas
Durante a cerimônia, foram demonstrados convênios entre os governos federal, estadual e municipal, com vigência de 60 meses para os acordos com o estado. A parceria com a prefeitura, firmada em agosto de 2025, tem validade de três anos. Os convênios contemplam três frentes principais:
- Proteção integrada dos corredores logísticos, entre o MJSP e o governo do estado, para reduzir a mobilidade de criminosos e o roubo de cargas em vias estratégicas como a Avenida Brasil, Linha Vermelha, Linha Amarela e acessos ao Porto e ao Aeroporto Internacional;
- Política Estadual de Reocupação Territorial, com foco em reduzir o controle armado e econômico das organizações criminosas e fortalecer a presença estatal em mercados explorados pelo crime;
- Capacitação da Força Municipal, com formação de turmas de elite da Guarda Municipal do Rio, em parceria com a prefeitura, SenaSP e PRF, ampliando a atuação de agentes armados.
Testemunhos e cenário institucional
O governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, afirmou que as ações conjuntas resultam em maiores apreensões, inclusive de drogas, e defendeu a soberania do Brasil no combate ao crime, afastando a necessidade de tutela externa. O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, destacou a integração de informações de inteligência e monitoramento em vídeo como parte das ações municipais, descrevendo a cerimônia como um sinal de cooperação entre as forças na região metropolitana, com impacto para cidades como São João de Meriti e Duque de Caxias. O evento ocorreu no Complexo da PRF, onde está a sede da Força Municipal, na junção entre a Avenida Brasil e a Rodovia Presidente Dutra.