Na busca pela reeleição, o candidato do PT à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva apresenta parte de seu plano de governo apoiado nos feitos da gestão atual, com propostas de continuidade ou aprofundamento de políticas públicas. O material foi divulgado pela Agência Brasil como parte de uma série de reportagens sobre programas de governo dos candidatos.
Principais propostas em segurança pública e defesa
Dentre as medidas, Lula propõe a criação do Ministério da Segurança Pública, que deverá coordenar, em articulação com estados e municípios, a execução das políticas nacionais de segurança. O objetivo é reforçar a integração entre União, estados e municípios no enfrentamento ao crime organizado. O plano também prevê o fortalecimento do Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio deste ano, com foco no combate ao tráfico de armas, munições, acessórios e explosivos, e na asfixiação financeira dessas organizações, bem como no fortalecimento da segurança em presídios e em outras frentes de atuação em segurança pública.
Saúde e Farmácia Popular
No setor de saúde, o plano de governo indica a criação de “a maior rede pública de cuidado ao câncer do mundo”, com investimentos em diagnóstico e tratamento com técnicas e equipamentos modernos, além da atualização de medicamentos quimioterápicos e imunoterápicos. No âmbito do Farmácia Popular, existente desde 2004 e que oferece medicamentos da Atenção Primária à Saúde para 12 indicações, a proposta é incluir exames laboratoriais, de diagnóstico e de monitoramento de condições crônicas. A meta é contemplar doenças como hipertensão arterial e diabetes no rol de exames ofertados pelo programa.
Educação e desenvolvimento técnico
Em educação, o documento aponta para investimentos adicionais em institutos federais de educação técnica e tecnológica, com continuidade da expansão da rede, interiorização, redução de vazios educacionais, atendimento a periferias urbanas e municípios com baixa oferta de cursos técnicos. Também há a promessa de expandir a cobertura de creches, investir em ensino integral e ampliar oportunidades no ensino técnico e superior.
Economia, indústria e combate à inflação
No campo econômico, o plano prevê isenção de impostos para a cesta básica e a continuidade da valorização do salário mínimo, além de manter a inflação sob controle de forma duradoura e sustentável, com a renda real da população crescendo acima do custo de vida. Também está previsto o fortalecimento da neoindustrialização, com ênfase em inovação, inteligência artificial, minerais críticos e outros ativos considerados estratégicos para o protagonismo brasileiro em áreas com potencial de futuro.
Corrupção, soberania e governança
As propostas de combate à corrupção incluem a continuidade do Plano de Integridade e Combate à Corrupção 2025–2027, com foco na prevenção e responsabilização. O documento menciona que o Portal da Transparência deverá se basear em dados abertos e inteligência artificial. No que diz respeito à soberania, o plano reafirma a proteção de fronteiras, o fortalecimento da Base Industrial e Tecnológica de Defesa e o aumento da atuação da Inteligência de Estado para proteção frente a ameaças geopolíticas, tecnológicas, cibernéticas e do crime organizado transnacional. A atividade seria exercida de forma civil, respeitando o Estado Democrático de Direito e os direitos fundamentais, com controle democrático.
Política externa e Mercosul
Para a política externa, o plano contempla a integração da América do Sul e a consolidação do Mercosul como principal plataforma de integração econômica, produtiva, política e social da região, com ênfase na região como zona de paz. O texto também sinaliza que o Mercosul continuará recebendo prioridade nas relações externas do eventual governo de Lula.