Dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que pessoas com deficiência vivem em moradias com menos estrutura do que as de pessoas sem deficiência. O relatório aborda aspectos como esgotamento sanitário, acesso à água, coleta de lixo, internet, eletrodomésticos, adensamento habitacional e deslocamentos.
O material também aponta mudanças na participação de pessoas com deficiência na política e no serviço público federal entre 2020 e 2025, além de dados sobre gestão municipal para acessibilidade e programas de promoção de direitos da pessoa com deficiência.
Condições de moradia e saneamento
O Censo 2022 revela que apenas 59,8% das pessoas com deficiência vivem em residências com fossas ou ligação à rede coletora de esgoto, ante 63,1% entre aqueles sem deficiência. Em relação à água potável e à coleta de lixo, moradores com deficiência têm 82% de acesso à água por rede e 90,1% de coleta de resíduos, contra 83,1% e 91,1% respectivamente em lares sem deficiência.
O conjunto de serviços de saneamento básico é atendido em 56,6% dos lares com pessoas com deficiência, frente a 60,2% nos lares sem deficiência. Existem ainda 2,4% de lares com deficiência sem banheiro exclusivo e 1,4% com paredes externas de material não durável, números superiores aos apresentados nos lares sem deficiência (2,2% e 1,2%).
Conectividade e eletrodomésticos
A internet domiciliar está disponível em 78,9% dos lares com pessoas com deficiência, enquanto em lares sem deficiência o índice é de 90,2%. Em relação a eletrodomésticos, 60,4% dos lares com deficiência possuem máquina de lavar, frente a 68,9% nos imóveis habitados apenas por pessoas sem deficiência.
Adensamento e perfil etário
O indicador de adensamento excessivo favorece as pessoas com deficiência: 3% tinham três ou mais pessoas por dormitório, em comparação com 4,8% entre os sem deficiência. A explicação apontada pelo IBGE envolve o perfil etário: parte relevante do grupo com deficiência é idosa, o que favorece domicílios unipessoais. O pesquisador Leonardo Queiroz Athias ressalta essa relação entre idade e estrutura familiar.
Deslocamento para o trabalho
As pessoas com deficiência gastam, em média, 12% mais tempo para chegar ao trabalho (37 minutos) do que as sem deficiência (33 minutos). O principal meio de deslocamento entre os com deficiência é o ônibus ou BRT (24,7%), enquanto nos sem deficiência essa participação é de 21%. Também há maior deslocamento a pé (23,7% vs. 17,4%) e de bicicleta (7,8% vs. 6,1%). Em contrapartida, os moradores sem deficiência utilizam mais automóveis e táxis (32,8%) e motos (17%), do que os com deficiência (22,8% e 14,3%, respectivamente).
Participação política e acesso ao serviço público
O IBGE aponta queda no número de pessoas com deficiência eleitas entre 2020 e 2024: 578 eleitos em 2020, contra 415 em 2024. Homens eleitos para vereador caíram de 459 para 356; mulheres para câmaras municipais caíram de 63 para 35. Entre prefeitos com deficiência, homens passaram de 47 para 23 e mulheres de 9 para 1. As candidaturas também recuaram de 6.409 em 2020 para 4.813 em 2024.
O pesquisador Athias comenta que há piora na representação de pessoas com deficiência, com menos candidaturas e menos pessoas eleitas. No serviço público federal, a participação aumentou de 0,6% em 2019 para 3,1% em 2025, com crescimento também em cargos comissionados de níveis 1 a 12 (0,5% para 2,8%) e níveis 13 a 17 (0,2% para 1,5%). Entre 2024 e 2025, houve avanços expressivos nesses percentuais, atribuídos ao aumento de identificação de servidores com transtorno do espectro autista (TEA).
Gestão municipal e políticas de acessibilidade
Entre os 5.570 municípios brasileiros, 490 contavam, em 2023, com adaptação de espaços públicos para acessibilidade a pessoas com deficiência, representando 34,5% da população com deficiência. Legislações para passe livre no transporte coletivo municipal aparecem em 480 municípios, onde vivem 46,1% dessa população.
A pesquisa aponta ainda que 83,8% das pessoas com deficiência vivem em municípios com políticas ou programas de promoção, 18,9% vivem em municípios com fundo municipal para os direitos da pessoa com deficiência, e 36,5% vivem em localidades onde a prefeitura tem pessoal capacitado para atender esse público.