Dólar sobe para R$ 5,22 e atinge maior nível desde março; Ibovespa recua pela quarta sessão

Mercado acompanha aversão ao risco global, alta dos rendimentos dos Treasuries e incertezas sobre negociações entre EUA e Irã

Dólar sobe para R$ 5,22 e atinge maior nível desde março; Ibovespa recua pela quarta sessão

Em um dia de turbulências no exterior, o dólar ultrapassou a barreira de R$ 5,20 e fechou em R$ 5,22 — maior nível em quase seis meses. A bolsa recuou pela quarta vez consecutiva.

A moeda acompanhou o movimento de fortalecimento do dólar no exterior, em um dia marcado pela aversão ao risco, pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pelas incertezas envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã.

Desempenho do dólar e da bolsa no dia

O dólar comercial avançou desde o início dos negócios e chegou a superar R$ 5,22 ainda pela manhã. Ao fim do pregão, encerrou vendido a R$ 5,226, alta de 0,83% em relação ao fechamento anterior, atingindo o maior nível desde 30 de março.

O movimento acompanhou a valorização da moeda norte-americana frente a outras divisas de emergentes. Às 17h04, o índice que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas subia 0,05%.

Contexto externo e dados relevantes

No exterior, a elevação dos rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA contribuiu para um ambiente desfavorável a ativos de maior risco. O rendimento do Treasury de 10 anos fechou o dia em 5,2319%, ante 5,181% na sexta-feira.

Taxas mais altas em economias avançadas costumam estimular a fuga de capitais de emergentes, incluindo o Brasil, contribuindo para o aperto da cotação da moeda local e pressionando o mercado de ações doméstico.

Contexto doméstico e dados do Banco Central

No cenário doméstico, as atenções permaneceram voltadas para as eleições presidenciais, sem que pesquisas divulgadas ao longo do dia alterassem o cenário de disputa acirrada.

O Banco Central informou déficit de US$ 5,055 bilhões em transações correntes em agosto. Já o investimento direto no país somou US$ 7,396 bilhões no mês.

No boletim Focus, a projeção mediana para o dólar no fim deste ano manteve-se em R$ 5,20. A inflação projetada para 2026 subiu de 4,92% para 4,99%, enquanto a previsão para 2027 passou de 4,30% para 4,31%.

Mercado de ações e petróleo

O Ibovespa terminou o pregão em queda de 0,26%, aos 182.991,13 pontos, após oscilar entre a mínima de 181.931,36 e a máxima de 184.094,65 pontos. O índice acumula queda de quatro pregões consecutivos, ainda que tenha alta de 3,14% em setembro e de 13,57% no ano.

No cenário internacional, o S&P 500 dos EUA fechou em baixa de 0,77%, influenciando um ambiente externo de maior aversão ao risco. No Brasil, a alta do petróleo ajudou a sustentar ações do setor, mesmo com a queda do Ibovespa no dia.

Petróleo e relações no Oriente Médio

O petróleo fechou em alta, com o Brent em US$ 97,83 por barril, alta de 0,40%, e o WTI em US$ 92,60, alta de 0,21%. Durante o dia, o Brent chegou a registrar ganhos mais fortes, mas perdeu parte da valorização à medida que surgiram informações sobre avanços possíveis nas negociações entre Washington e Teerã e sobre medidas para ampliar a oferta de petróleo.

A Arábia Saudita retomou o bombeamento do oleoduto Leste-Oeste, com fluxo estimado em cerca de 3,5 milhões de barris por dia. Carregamentos de exportação foram retomados no porto de Yanbu, no Mar Vermelho. Apesar dessas sinalizações de oferta adicional, as restrições à navegação no Estreito de Ormuz e as tensões no Oriente Médio mantiveram a volatilidade nos preços.