AGORA

Trump cita PCC e CV e afirma que Brasil não conseguiu enfrentar facções

Documento anual do governo dos EUA enviado ao Congresso classifica facções criminosas brasileiras entre as ameaças ao tráfico de drogas e aponta avaliações sobre governos da região

Trump cita PCC e CV e afirma que Brasil não conseguiu enfrentar facções

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou publicamente o governo brasileiro por não ter conseguido enfrentar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A afirmação consta em um documento anual enviado ao Congresso norte-americano, datado de terça-feira (15), que identifica países relevantes no trânsito ou produção de drogas ilícitas para o ano fiscal de 2027 e apresenta avaliações sobre diferentes governos.

Segundo o documento, enquanto diversos governos do Hemisfério Ocidental tomaram medidas corajosas para reduzir fluxos de drogas e erradicar cartéis, o Brasil não conseguiu enfrentar as organizações terroristas estrangeiras citadas e, assim, teria se tornado um centro para os fluxos globais de cocaína.

Contexto do relatório

O material descreve um panorama de avaliações sobre governos de vários países. O Brasil, segundo o texto, não é classificado como país que falhou de maneira demonstrável em cumprir suas obrigações internacionais de combate às drogas, nem figura entre os principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas. A lista de nações destacadas como relevantes no trânsito ou produção inclui, entre outras, Afeganistão, China, Colômbia, México, Peru e Venezuela.

Ainda conforme o documento, o Brasil estaria sob críticas ao não enfrentamento direto das organizações criminosas, descritas como ‘organizações terroristas’ no enquadramento utilizado pelo governo dos EUA. O texto cita que essas organizações representam uma ameaça crescente à paz e à segurança global e solicita ao Brasil medidas agressivas para enfrentá-las e derrotá-las.

Reações e desdobramentos com outros países

O relatório menciona elogios a governos considerados mais alinhados aos Estados Unidos, como Argentina, Equador e El Salvador, além de referências positivas a Venezuela, Bolívia, Colômbia e Peru, citando mudanças de governo recentes como fatores que teriam alterado a percepção sobre o enfrentamento ao narcotráfico.

Na seção dedicada à Colômbia, o documento elogia a eleição de Abelardo de la Espriella e afirma que o novo presidente assumiu o compromisso de promover uma campanha agressiva contra o cultivo de coca e a produção de cocaína. Sobre a Bolívia, o texto destaca o governo de Rodrigo Paz, eleito em 2025, e afirma que a eleição abriu um “novo capítulo” nas relações com os EUA, com expansão da cooperação na área de segurança e combate às drogas. O Peru recebe elogios pelo compromisso da presidente Keiko Fujimori de trabalhar com os EUA e outros aliados para combater organizações criminosas e reduzir o fluxo de cocaína para o país.

Críticas a outros países e responsabilidades

O documento também aponta críticas ao México, Canadá e à China. Em relação ao Canadá e ao México, afirma que ainda há muito a fazer para interromper fluxos de drogas mortais para os EUA, citando produção de fentanil em laboratórios canadenses e a necessidade de maior participação do setor privado e de inspeções mais rigorosas na fronteira mexicana.

Quanto à China, o relatório reforça que o país continua sendo grande produtor de muitos químicos precursores usados na fabricação de fentanyl, metanfetamina e outras drogas sintéticas. O texto menciona conversas com o presidente Xi Jinping e reconhece que a China implementou novas exigências para licenciar exportações de certos precursores, mas afirma que criminosos continuam encontrando maneiras de contornar controles usando precursores não regulamentados.

Trump é citado cobrando da China medidas mais agressivas, incluindo a classificação de mais precursores e substâncias solicitados pelos EUA, para reduzir efetivamente o fluxo dessas substâncias.