O plenário do STF começou a analisar na manhã desta terça-feira (15) se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado pela suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
As mensagens entre Vorcaro e o ministro, identificadas pela Polícia Federal a partir da quebra do sigilo do celular do ex-banqueiro, são o foco da discussão no plenário.
O caso envolve investigações sobre fraudes no Master e a tentativa de compra da instituição pelo BRB, banco público ligado ao Governo do Distrito Federal (GDF).
Contexto e base processual
O plenário da Suprema Corte iniciou a análise sobre a possibilidade de instaurar investigação sobre Moraes no âmbito do que envolve as mensagens trocadas com Vorcaro. A apuração teve origem na identificação de que Vorcaro contatou um número atribuído ao ministro, conforme documento da PF obtido a partir do celular do ex-banqueiro.
Rito da sessão
Segundo o procedimento definido pelo presidente do STF, Edson Fachin, a sessão foi marcada para as 10h. A sequência prevê leitura da ata, saudações, leitura do relatório, manifestação da PGR, votação e eventual intervalo para questões de ordem ou pedidos de vista. O STF não confirmou a participação de Moraes na sessão. Também integra o plenário a possibilidade de interrupção do rito por decisão de qualquer ministro, ou de suspensão por pedido de vista.
Quem participa e possíveis impedimentos
O plenário é composto por ministros como Cristiano Zanin, Flávio Dino, Nunes Marques, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. A participação de Dias Toffoli não está confirmada; ele declarou impedimento em julgamentos do caso Master no início deste ano, após revelação de que é proprietário de um resort adquirido por fundo ligado ao banco envolvido.
Cronologia relacionada às mensagens e a prisão de Vorcaro
A investigação aponta que Vorcaro trocou cerca de 50 mensagens com o número atribuído ao ministro antes de ser preso em 17 de novembro do ano passado, no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Master e a tentativa de compra da instituição pelo BRB, banco público do DF. Em 15 de novembro de 2025, Vorcaro mencionou preocupações com o andamento das investigações e citou o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral Andrei Rodrigues. No dia seguinte, ele mencionou o juiz Ricardo Leite e indicou a possibilidade de mandado de prisão. Em 17 de novembro, Vorcaro foi preso por determinação de Leite; o caso foi posteriormente enviado ao STF.
Resposta e posicionamentos envolvidos
Desde o início da divulgação das conversas, Moraes não se pronunciou especificamente sobre o conteúdo. Após encaminhar as mensagens para Fachin, Moraes incluiu Mendonça no inquérito das fake news e o acusou de direcionar a investigação por motivos políticos, afirmação que Fachin posteriormente desfez. O procurador-geral Paulo Gonet defende a anulação do relatório da PF que identificou as conversas, argumentando que o aprofundamento da apuração só poderia ocorrer com autorização do plenário da Corte.