Governo monitora rede de divulgação de bets e derruba 506 sites

Força-tarefa conjunta do MJSP e MF derruba plataformas suspeitas e monitora publicidade em redes sociais e Telegram após MP que proíbe bets no Brasil

Governo monitora rede de divulgação de bets e derruba 506 sites

Uma força-tarefa composta pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pelo Ministério da Fazenda (MF) derrubou 506 sites com indícios de oferta irregular de apostas online. A ação acontece após a edição da medida provisória que proibiu as bets no Brasil. Além disso, há monitoramento de uma rede de divulgação de apostas no Telegram, com cerca de 212 mil usuários.

O trabalho busca interromper o acesso a plataformas que operem sem autorização e impedir que novos endereços sejam usados para oferecer apostas ao público brasileiro, segundo nota do MJSP. O monitoramento envolve publicidade em plataformas da Meta, Google e TikTok.

Contexto e objetivos da operação

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) informou que a força-tarefa ampliou o monitoramento do mercado de apostas online no ambiente digital após a publicação da MP que estabelece o fim das bets. A ação é realizada em parceria com o Ministério da Fazenda (MF). O objetivo é interromper o acesso a plataformas que operem sem autorização e evitar que novos endereços sejam usados para oferecer apostas ao público brasileiro.

Publicidade e plataformas monitoradas

Um relatório do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) identificou que a publicidade de bets continuava circulando em plataformas da Meta, Google e TikTok. Os anúncios promoviam cadastros com bônus e incentivos, como 'convide amigos e ganhe R$ 888,00' e 'Ganhe R$ 50,00 grátis'. O MP prevê dez dias para retirada de publicidade já em circulação, proibindo qualquer anúncio novo.

No Google, foram identificados 1,9 mil anúncios de bets. O Ciberlab afirmou não ter conseguido separar quais anúncios eram novos ou antigos no conjunto analisado. O órgão informou que continuará monitorando as plataformas para verificar o cumprimento da legislação e solicitou medidas das bigtechs para detectar páginas com identidade dissimulada e links mascarados.

Caso específico da Meta

Na Meta, o Ciberlab identificou sete anúncios, dois deles veiculados durante a vigência da MP. O MJSP pediu a notificação da Meta para derrubada dos anúncios que começaram após a edição da MP. O relatório aponta que alguns anúncios usavam nomes de páginas diferentes das marcas anunciadas e links cujo domínio não correspondia à marca, o que pode indicar ocultação do anunciante real e do destino do tráfego.

Rede de divulgação no Telegram e promessas de lucro

A força-tarefa identificou 43 canais e grupos ativos no Telegram com propaganda de apostas e jogos de cassino online, somando 212,6 mil membros. A relação dessas contas foi encaminhada aos órgãos competentes da Fazenda e da Justiça para verificação técnica e adoção de providências cabíveis.

Entre as promessas, havia ganhos alegados de até 260% de lucro mensal, oferta de robôs para apostas e taxas de acerto de até 99,8%. A atuação integrada busca impedir que a retirada formal das bets seja contornada pela migração das atividades para redes sociais, aplicativos, grupos fechados, canais clandestinos ou plataformas hospedadas fora do país.

Bets ilegais e números antes da MP

Após a publicação da MP, teriam surgido 440 novos sites de apostas online sem registro no Brasil, segundo dados do Bet Legal, mantido pela Iron Security. A plataforma iniciou a medição de bets irregulares em 1º de setembro, com os primeiros sites irregulares detectados em 21 de setembro, quatro dias antes da publicação da MP.