O dólar e a bolsa brasileira encerraram a segunda-feira pressionados pela aversão ao risco nos mercados, em um dia marcado pelo avanço do petróleo, incertezas no cenário político doméstico e tensões geopolíticas.
A moeda estadunidense aproximou-se de R$ 5,15, enquanto o Ibovespa caiu quase 1%.
Movimentação do câmbio
O dólar à vista fechou em R$ 5,149, com alta de 0,49% frente ao fim do pregão anterior. Durante a manhã, a cotação chegou a subir mais de 1%, atingindo a máxima de R$ 5,183 pouco antes das 11h, refletindo a valorização do dólar no exterior e a demanda por ativos considerados mais seguros diante de eventos no cenário geopolítico e do avanço do petróleo. A pressão inicial perdeu força ao longo da tarde, com a mínima de R$ 5,1414 registrada mais perto do final do pregão, após notícias sobre possíveis negociações entre Estados Unidos e Irã influenciarem a percepção de oferta global de petróleo.
No agregado do dia, o dólar acumula queda de 6,19% no ano. O índice DXY, que acompanha o dólar frente a seis moedas fortes, encerrou o fim da tarde em alta de 0,41%, aos 99,508 pontos, refletindo o movimento relativo do dólar no exterior frente a outras moedas de referência.
Desempenho da bolsa
O Ibovespa fechou aos 185.500,88 pontos, com queda de 0,91%. O pregão oscilou entre 183.813,36 e 187.320,96 pontos, com volume financeiro de R$ 24,4 bilhões. A fraqueza foi puxada principalmente por ações de mineradoras, em um cenário de recuo dos contratos futuros de minério de ferro negociados na China. O ambiente político doméstico contribuiu para a instabilidade de ativos de risco no Brasil.
No exterior, o mercado ampliou a cautela diante de riscos relativos à inteligência artificial, com o S&P 500 dos Estados Unidos encerrando em baixa de 0,48% em Nova York.
Petróleo e impactos macroeconômicos
O petróleo Brent avançou ao longo do dia, chegando a negociar a US$ 109,80 pela manhã, alta próxima de 5% após ataques a infraestrutura energética da Arábia Saudita e a navios no Oriente Médio. Ainda assim, a cotação recuou no período da tarde diante de sinalizações de possível acordo entre EUA e Irã e expectativas de suspensão de ataques entre Rússia e Ucrânia. Ao final, o Brent fechou em US$ 105,68, alta de 1,02%. No acumulado, o petróleo registrou ganhos relevantes em setembro (acima de 15%) e no ano (aproximadamente 75%).
Essa elevação do petróleo adiciona pressões inflacionárias e pode influenciar as decisões de política monetária em economias importantes, mantendo o tema no centro das atenções dos mercados na semana.
Perspectivas e contexto político
O dia foi marcado por incertezas no cenário doméstico, incluindo a divulgação de pesquisas eleitorais e desdobramentos de crises institucionais, como a relacionada ao Supremo Tribunal Federal (STF) com desdobramentos previstos para análise no plenário nesta terça-feira (15). O ambiente de juros também esteve no radar, com expectativa de redução do diferencial entre as taxas brasileiras e estadounidenses diante da próxima decisão do Federal Reserve (Fed) sobre a política de juros nos EUA prevista para quarta-feira (17). O mercado brasileiro acompanha ainda a evolução de medidas para a continuidade do ciclo de cortes da Selic.