A alopecia areata é descrita por especialistas como uma doença imprevisível, de origem autoimune, com episódios de queda de cabelo que podem ocorrer em qualquer fase da vida. A condição pode se apresentar de três formas distintas: queda localizada, alopecia areata total (perda de pelo no couro cabeludo) e alopecia areata universal (perda de pelos em todo o corpo). O diagnóstico é clínico, feito no consultório, sem exames laboratoriais ou de imagem capazes de confirmar a doença, segundo a dermatologista Enilde Borges Costa, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Os relatos apresentados pela Agência Brasil destacam não apenas o aspecto físico, mas sobretudo os impactos emocionais e sociais da condição, incluindo a necessidade de apoio psicológico e familiar, além de discutir possíveis mudanças legais para aumentar a proteção de pacientes.
Como a alopecia areata se apresenta e é diagnosticada
A dermatologista Enilde Borges Costa descreve a alopecia areata como uma doença autoimune em que o organismo ataca o folículo piloso, impedindo o desenvolvimento de fios estáveis. A condição pode surgir de forma cíclica, com fases de queda de cabelo seguidas por períodos de recuperação. Existem três formas de manifestação: queda em pequenas áreas do couro cabeludo; alopecia areata total, com perda de cabelo do couro cabeludo inteiro; e alopecia areata universal, com perda de pelos de todo o corpo. O diagnóstico é feito no consultório, por meio do exame clínico das áreas sem pelos, sem a necessidade de exames laboratoriais ou de imagem. A observação da facilidade com que o cabelo se solta ao puxar uma mecha também pode ajudar a confirmar o quadro.
Aspectos emocionais e genéticos
A doença tem forte componente emocional e pode ter influências genéticas. Embora não seja classificada como psicossomática, pode ocorrer em episódios que são desencadeados por estresse intenso ou por infecções que afetam o sistema imunológico. A especialista alerta para não culpar o paciente pela crise, pois atribuir a causa apenas a fatores emocionais pode gerar sofrimento adicional. Histórias de pacientes destacam inicialmente interpretações equivocadas de médicos que atribuíram a queda a traços emocionais, o que, conforme relato, pode atrasar o diagnóstico correto.
Experiências de pacientes: tratamento, efeitos colaterais e adaptação
Beatriz Santos, revisora de 32 anos na época de seu primeiro episódio, relata que a queda começou aos 15-16 anos, após o que enfrentou trajetórias de tratamento que incluíram corticoides orais e injetáveis. Enquanto os tratamentos às vezes traziam crescimento capilar, surgiram efeitos colaterais significativos, incluindo osteopenia observada em um densitometria óssea feita aos 17 anos. Um reumatologista alertou sobre o risco de ficar sem mobilidade se o corticoide fosse mantido por longos períodos, levando Beatriz a interromper a terapia. Em 2012, ela perdeu o cabelo novamente, quadro que persiste até hoje na forma de alopecia areata universal. Beatriz passou por psicoterapia e atualmente não esconde a ausência de pelos, descrevendo que a vida “vai se expandindo para outros lados” e que a autoestima pode ser reconstruída por meio de atividades e relações pessoais. Em seu relato, a médica enfatiza que não há necessidade de permanente cobertura estética para conviver com a condição, defendendo uma abordagem que inclua autoconhecimento e atividades que ampliem a experiência de vida.”]},{
heading
Para Juliana Fernandes, há mais de 20 anos convivendo com alopecia areata universal, o caminho envolve aceitação e apoio psicológico
paragraphs([