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Famílias preservam tradição de Cosme e Damião no Rio de Janeiro

Celebração reunindo fiéis católicos e praticantes de Umbanda na Paróquia de São Cosme e São Damião, no Andaraí, e no Terreiro de Umbanda em Vila Isabel

Famílias preservam tradição de Cosme e Damião no Rio de Janeiro

Devota de São Cosme e São Damião desde a infância, a professora Caroline Pinho de Araújo, de 40 anos, explica que a devoção nasceu no catolicismo e ganhou continuidade na Umbanda. Ela participa de missas e, anualmente, distribui doces como forma de agradecimento pela saúde, emprego e família.

Além disso, Caroline ressalta a importância de manter a tradição para crianças e adultos e afirma que a prática contribui para combater discursos de ódio e intolerância, promovendo o amor e a alegria de ser criança.

Pontos de celebração e participação

A professora participou de uma missa dominical na Paróquia de São Cosme e São Damião, no Andaraí, Zona Norte do Rio de Janeiro. A data marca a celebração anual dos irmãos santos que conquistaram a devoção de cariocas.

O padre Luiz Gustavo Menezes do Nascimento, vigário da paróquia, destaca a alegria de receber peregrinos e relembra que também vivenciou a tradição desde a infância, quando pegava doces nas celebrações. Ele argumenta que a dedicação aos Santos Cosme e Damião, martirizados pelo imperador Diocleciano, representa uma graça que se renova a cada ano.

O sacerdote enfatiza que o evento permanece relevante 1,7 mil anos depois, conectando histórias de fé com a prática religiosa atual.

No terreiro de Umbanda Cosme e Damião, em Vila Isabel, houve distribuição de doces, bolo, cachorro-quente, algodão-doce, brinquedos e kits de higiene pessoal para adultos e crianças, demonstrando o sincretismo entre religiões de matriz africana e o catolicismo.

A mãe de santo Ana Carolina Oliveira, responsável pelo terreiro, comenta que a tradição existe há mais de 60 anos e que este foi o sexto ano com as atividades realizadas naquele espaço. Ela explica que Cosme e Damião foram incorporados pela prática afro-brasileira como erês, entidades infantis respeitadas em suas crenças.

Acompanhando a celebração, a massoterapeuta Vania Victorio Gonçalves da Silva ressalta que a tradição é um resgate da história e dos antepassados, sobretudo ao levar a filha Natasha, de 14 anos, ao evento com a amiga Mirele, também de 14, para participar da distribuição de brindes.

História e contexto religioso

Participantes descrevem a figura de Cosme e Damião como médicos cristãos do século III, cuja prática de tratar crianças sem cobrar nada é contada nas tradições locais. A narrativa descreve a vida dos santos antes de serem martirizados durante a perseguição do Império Romano, sob Diocleciano, o que reforça a ligação entre fé, cuidado infantil e o ato de presentear com doces para crianças enfermas como parte da cultura de cura popular.

O historiador Luiz Antonio Simas complementa, em postagem de redes sociais, essa visão histórica, acrescentando que Cosme e Damião teriam atuado como médicos que atendiam crianças, e que a prática de oferecer doces buscava alegrar os pequenos enquanto havia cura. Ele também menciona que os santos foram perseguidos e martirizados naquela época, reforçando a memória de sua atuação religiosa e social.

A celebração envolve ainda a referência ao sincretismo religioso, destacado pela mãe de santo ao explicar que Cosme e Damião passaram a ser associados aos erês na Umbanda, conectando tradições católicas à prática afro-brasileira.

A presença de famílias e jovens no terreiro, bem como a participação de devotos de diferentes origens, evidencia a continuidade de uma tradição que atravessa feições religiosas distintas, mantendo o diálogo entre fé, memória e convivência comunitária.