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Evento de arte e tecnologia alfineta com bordado e reflete sobre IA

Instalação bordada no Sesi Lab em Brasília promove debate sobre a relação entre arte, tecnologia e inteligência artificial

Evento de arte e tecnologia alfineta com bordado e reflete sobre IA

A instalação Bordaduras, de Regina Silveira, está em exposição no Sesi Lab, em Brasília, e fica aberta ao público a partir desta terça-feira (15). A obra consiste em um vinil adesivo de 530 metros quadrados, com a imagem de agulhas e bordados em ponto de cruz inacabados, instalada sobre os vidros do espaço museal do laboratório.

A obra tem função de provocar reflexões sobre a relação entre arte, mulheres e tecnologias, especialmente no que diz respeito à interferência da inteligência artificial nas criações artísticas, tema que permeia o 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia que ocorre no local até o dia 20 de setembro.

Sobre a obra Bordaduras

Trata-se de uma instalação que utiliza um vinil adesivo de 530 metros quadrados, apresentando agulhas e uma série de bordados em ponto de cruz inacabados, fixada nos vidros do Sesi Lab. A obra está oficialmente aberta à visitação a partir de 15 de setembro.

Regina Silveira fala sobre o objetivo da obra

A artista descreve que a instalação busca provocar reflexões sobre a relação entre alfabetização, bordado e tecnologia. Ela lembra que o bordado tem raízes históricas na alfabetização de mulheres durante o Pré-Renascimento, quando bordar letras em enxovais era uma tarefa comum entre as mulheres. Em seu percurso, os bordados completos ou incompletos dialogam com padrões gráficos que vêm usando desde o início do milênio, com apoio de meios digitais para dialogar com arquiteturas diversas.

Contexto feminista e leitura da obra

Silveira afirma que a obra tem viés feminista por natureza, mencionando a distorção de objetos do cotidiano em parte de sua produção nos anos 1980 e 1990. Ela ressalta que as agulhas presentes na instalação – quatro ao todo – possuem significados próprios, servindo como elementos ilusórios. Além da instalação nos vidros, um painel de LED do lado interno exibe a obra Dígito, criada nos anos 1980. A artista participa da palestra inaugural do 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, que debate a interseção entre arte e tecnologia.

Debate sobre IA na arte

Entre os temas debatidos no evento está a interferência da inteligência artificial nas obras. Regina Silveira aponta que as tecnologias atuam sobre repertórios e memórias já existentes e que a IA pode facilitar a expansão, desde que não leve à invenção de conteúdos novos por máquinas. Ela defende que a invenção continua a ser uma atribuição humana, ocorrendo a partir de conexões inesperadas entre dados já presentes.

Contribuições de Suzete Venturelli

Suzete Venturelli, coordenadora do 25 Art, reforça a necessidade de cautela com o uso de tecnologias generativas na arte, destacando que nada substitui a criatividade humana. Ela comenta que o uso dessas tecnologias precisa ser educado para favorecer a criatividade e a capacidade de bordar invenções, observando ainda que bancos de dados podem apresentar vieses racistas e eurocêntricos.

Outros relatos e observações no entorno da exposição

Personagens como Gabriel Martins, malabarista e costureiro, observam a obra e relatam associações entre bordado, crochê e atividades cotidianas, lembrando práticas aprendidas com familiares. A agenda do evento cita ainda a presença de palestras e atividades com 41 artistas de diferentes regiões do país, com foco em ancestralidade tecnológica e na importância de múltiplas perspectivas.