Marcado para domingo (13), a Lavagem de Madeleine, evento afro-brasileiro em Paris, chega à sua 25ª edição sem autorização para realizar a lavagem das escadarias da igreja de Madeleine. Por decisão do pároco local, Monsenhor Patrick Chauvet, a cerimônia religiosa não poderá ocorrer na área tradicional, sendo transfers a uma área pública em frente à igreja, onde se espera a participação de até 60 mil pessoas.
A programação, que além de rituais religiosos inclui apresentações artísticas com Mariene de Castro como atração principal, mantém o caráter ecumênico e cultural da celebração, que já contou com nomes como Preta Gil, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Daniela Mercury, Margareth Menezes, Carlinhos Brown e Olodum em edições anteriores.
Situação e local da celebração
O evento, marcado para o domingo 13, não recebeu autorização para a lavagem das escadarias da igreja Madeleine. Em decorrência disso, a organização transferiu a atividade para uma área pública em frente ao templo, com previsão de recebimento de cerca de 60 mil pessoas. A celebração continua integrada por rituais religiosos e apresentações artísticas, mantendo o objetivo de divulgar a cultura afro-brasileira na Europa.
Envolvidos e organização
Entre os organizadores, está o mestre de cerimônias Robertinho Chaves, multiartista, que coordena a programação ao lado de Mariene de Castro, posicionada no alto de um trio elétrico. A organização também informou que a 25ª edição convoca artistas, instituições culturais, líderes religiosos, movimentos sociais, brasileiros, franceses e imigrantes a apoiarem a celebração como demonstração de resistência cultural e de liberdade religiosa e diversidade.
Programação artística e conformidade cultural
Além de Mariene de Castro, o trio elétrico contará com a participação de Jau, Gildaa (franco-brasileira) e Lorena Pires, que, vinculada à Academia de Ópera Nacional de Paris, interpretará a oração Ave Maria. O cortejo terá concentração na Place de la République, com saída através de ruas ao som de samba, maracatu, capoeira e a presença de uma ala de baianas. A celebração permanece reconhecida pela UNESCO como parte da Rota dos Escravizados e do calendário cultural de Paris desde 2022, reforçando a ligação entre história da escravidão e memória cultural.
Reações e posição da Igreja
O fato de não haver autorização para a lavagem escadaria gerou posicionamentos e levou a igreja a não explicar de imediato a negativa à imprensa. A Arquidiocese de Paris não detalhou os motivos, mas destacou um chamado aos católicos para demonstrarem amizade à comunidade judaica, em meio a celebrações como Ano Novo judaico (Rosh Hashaná) e o Dia do Perdão (Yom Kippur). O espaço permanece disponível para manifestações da igreja e do pároco Patrick Chauvet.
Contexto cultural e histórico
A Lavagem da Madeleine é inspirada na Lavagem da Igreja do Bonfim, em Salvador, Bahia, e ocorre na tradição parisiense há mais de duas décadas. Em 2022, foi reconhecida pelo Ministério da Cultura francês como patrimônio imaterial, integrando o calendário cultural de Paris. O evento faz parte da Rede da UNESCO, conectando locais ligados à história da escravidão e preservando a memória do crime contra a humanidade.