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Grupo ligado a Vorcaro tinha acesso a informações de MPF, PF e Interpol, aponta PF

Relatório da Polícia Federal detalha como organização ligada ao ex-dono do Banco Master operava com acessos ilícitos a dados sigilosos de múltiplas instituições, incluindo mensagens envolvendo a Interpol e o FBI

Grupo ligado a Vorcaro tinha acesso a informações de MPF, PF e Interpol, aponta PF

Relatório técnico da Polícia Federal, datado de 27 de fevereiro, descreve a atuação de uma estrutura paralela criada por Daniel Vorcaro, então ligado ao ex-dono do Banco Master.

O documento, enviado ao ministro do STF André Mendonça, detalha que o grupo, apelidado de “A Turma”, teria acesso irregular a sistemas sigilosos e até a bases internacionalmente conectadas, como Interpol e FBI, mediante uso de logins de terceiros e de um servidor de mensagens com comunicações entre integrantes da organização.

O que diz o relatório da PF

O material aponta que Vorcaro pagava R$ 1 milhão por mês para manter a “Turma”, descrita como uma estrutura paralela de vigilância, milícia e coerção privada. O grupo seria responsável por acessos recorrentes e irregulares a procedimentos sigilosos em mecanismos como MPF, PF, Polícia Civil e Banco Central, segundo a PF.

Como o acesso se dava

Os investigadores afirmam que o acesso era feito pela utilização de logins funcionais de terceiros, permitindo extração indevida de documentos e consultas não autorizadas em sistemas internos das instituições.

Exemplos de operações internas

O relatório cita mensagens recebidas por Vorcaro em 15 de fevereiro de 2024, quando ele perguntou sobre um inquérito dentro da PF. Quarenta minutos depois, um contato via áudio de Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, indicou que já havia sido feito contato com a “Tropa” para atender o pedido de Vorcaro. Marilson era apontado como tendo acesso ilícito aos sistemas do MPF, segundo a PF.

Termos de busca e sigilos

Entre as buscas descritas, aparecem termos como “BRB AND MASTER” para identificar procedimentos envolvendo o banqueiro e o BRB, ligado ao interesse de compra de títulos do Master. Em várias conversas, Vorcaro solicita “quer tudo” e o interlocutor sugere “puxar geral”, com tentativas de ocultar a identificação do servidor que realizava a consulta.

Interlocução com órgãos internacionais

O relatório também menciona que, em 24 de outubro de 2025, Mourão enviou prints com o logotipo da Interpol e mensagens indicando que aguardavam o relatório principal do FBI. A PF verificou com a Interpol Brasil que a tela apresentada não corresponde a mecanismos de busca oficiais da Interpol, mas admite que pode se tratar de buscas de outros países com base em dados da Interpol.

Caso Master e desdobramentos

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, após crise de liquidez e violações normativas graves. O BRB manteve relações com o Master durante tentativas de salvamento, resultando em prejuízos de R$ 8,8 bilhões para o BRB. A PF aponta relacionamento ilícito entre Vorcaro e dois diretores do BC. Vorcaro foi preso em novembro de 2025 e, segundo o STF, permanece detido; Sicário também foi preso, mas morreu dois dias após uma tentativa de suicídio na prisão.