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Eleições 2026: confira 6 dicas para ajudar a escolher seus candidatos

Especialistas orientam o eleitor a analisar interesses, competências e alinhamento partidário antes do primeiro turno

Eleições 2026: confira 6 dicas para ajudar a escolher seus candidatos

A menos de duas semanas do primeiro turno das Eleições de 2026, muitos eleitores ainda não definiram em quem vão votar. O debate público tem enfrentado barreiras recentes ligadas a notícias sobre o caso Master e a crise do STF, o que contribui para uma menor clareza sobre propostas concretas. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil indicam caminhos para que o eleitor possa escolher candidatos com critérios mais sólidos, buscando compatibilidade entre propostas, interesses pessoais e o contexto político.

O material apresentado apresenta seis diretrizes que ajudam o eleitor a identificar candidatos alinhados a seus interesses, além de alertas contra práticas comuns de campanha, como o uso de puxadores de voto e promessas genéricas. Os especialistas ressaltam a importância de compreender as funções de cada cargo, o financiamento de campanhas, a atuação partidária e a necessidade de checar o histórico de votação dos candidatos.

1) Eu, o eleitor

Antes de avaliar propostas ou currículos, é essencial o eleitor olhar para si e para a coletividade a que pertence. Perguntas orientadoras incluem: a qual grupo social e econômico o eleitor pertence, com quais ideologias se identifica e quais problemas espera que o Poder Público priorize? O objetivo é tornar explícitos os interesses, reconhecendo que políticas diferentes atendem a necessidades distintas. O cientista político João Feres Júnior aponta que muitos eleitores não têm clareza sobre seus interesses nem certeza de que os representantes escolhidos os atenderão de fato, destacando que há prioridades diversas entre segmentos da sociedade e que a imprensa muitas vezes foca mais escândalos do que boas práticas políticas.

2) O que faz um político?

O texto orienta compreender as atribuições de cada cargo, para evitar promessas irrealistas, como uma promessa de construir hospitais ou pavimentar ruas feita por candidatos a deputado, por exemplo, que competem com competências do Poder Executivo. A socióloga Débora Messemberg lembra que senadores e deputados têm poder para indicar a destinação de verbas através do orçamento e de emendas, mas não executam políticas públicas. É fundamental entender que determinadas ações cabem ao Executivo. O guia lista competências de cada função: Presidente da República, Governadores, Deputados (federais, estaduais e distritais), Senadores, com delimitação de responsabilidades como elaboração de leis, fiscalização, orçamento e relações internacionais.

3) Ações valem mais que palavras

Avaliar currículo, histórico e propostas do candidato é o caminho proposto para evitar promessas vagas. Também se recomenda verificar quem financia ou apoia o candidato, a composição da coligação e de onde vêm os apoios (grandes empresas, bancos, sindicatos etc.). O professor Francisco Uribam Xavier de Holanda ressalta que, embora muitos candidatos usem pesquisas para embasar discursos, é difícil para o eleitor acompanhar questões de financiamento de campanha e uso de fundos partidários. Quando há ocupação anterior, vale checar o histórico de votações e atuação em projetos relevantes para detectar incoerências ou promessas não cumpridas. As propostas e a prestação de contas, incluindo a lista de doadores, podem ser consultadas no sistema do TSE.

4) Alinhamento partidário

No Brasil, a atuação não é isolada; mesmo sem uma linha ideológica clara em todos os partidos, espera-se que haja alinhamento mínimo e disciplina de bancada. A professora Naiara Sandi de Almeida Alcântara destaca que, em votações, a orientação de bancada costuma influenciar posições dos parlamentares. Por isso, o eleitor deve observar não apenas as propostas e trajetórias individuais, mas também as posições do partido, seu programa, alianças e histórico de votações. O objetivo é entender se o candidato, apesar de um discurso inicial, tende a cumprir as diretrizes partidárias ao atuar no Legislativo.

5) Puxadores de voto

O texto repara no fenômeno conhecido como Efeito Tiririca, originado do uso de candidatos de grande visibilidade (artistas, atletas) para fortalecer a legenda e facilitar a eleição de outros correligionários. O conceito está relacionado ao quociente eleitoral do sistema proporcional, que determina o número de cadeiras que cada legenda conquista com base nos votos recebidos. O cientista Rodrigo Stumpf González explica que políticas eleitorais recentes impõem barreiras para candidaturas pouco votadas, como a exigência de votação mínima, mas recomenda que eleitores conheçam a nominata do partido para evitar votar motivados apenas por uma celebridade, o que pode favorecer outros candidatos da mesma legenda.

6) No dia da votação

O primeiro turno ocorre em 4 de outubro, com cerca de 158,7 milhões de eleitores aptos. O dia da votação permite levar um papel com nomes e números dos candidatos para consulta na cabine, mas o uso de celular é proibido para registrar votos. Equipamentos que registrem o voto não podem ser usados na cabine. O TSE justifica a proibição pela proteção do sigilo e do exercício livre do voto. Há permissão para o uso de broches, adesivos e camisetas em apoio individual e silencioso; manifestações coletivas ou ruidosas, bem como abordagens para influenciar outros eleitores, são proibidas. O voto é assegurado com direito a ausentar-se do serviço, sem prejuízo salarial; pessoas com mais de 80 anos têm prioridade; pessoas com deficiência podem ser auxiliadas por quem escolherem.

Fontes de informação e transparência

Além das orientações práticas, o material lembra que a transparência de campanhas pode ser verificada no site do TSE, com informações sobre financiamento, propostas de governo, bens declarados e prestação de contas.