Os líderes do Brics reunidos em Nova Delhi, Índia, emitiraram uma declaração expressando profunda preocupação com a escalada das tensões no Oriente Médio/Ásia Ocidental. O texto defende contenção máxima e a abstenção de ações que possam agravar o conflito.
A declaração, publicada neste sábado, faz parte do documento oficial do encontro intitulado Construindo para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade, e traz ainda críticas às tarifas unilaterais no comércio internacional.
A reunião contou com dirigentes de relevo, incluindo Modi (Índia), Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia), Cyril Ramaphosa (África do Sul) e Masoud Pezeshkian (Irã), além do príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos e do chanceler brasileiro Mauro Vieira.
Contexto e conteúdo da declaração do Brics
A declaração do Brics, com 35 páginas e 140 parágrafos, aborda a situação no Oriente Médio de forma abrangente, sem citar nominalmente os países envolvidos na referência específica ao conflito. O parágrafo 28 destaca a preocupação com a escalada das tensões na região, pedindo máxima contenção e a abstenção de ações que possam agravar o cenário.
Atual composição e participação do Brics
A cúpula ocorreu em Nova Delhi, capital da Índia, com a presença de líderes de destaque no cenário internacional e regional. Além de Modi, estiveram presentes Xi Jinping, Vladimir Putin, Cyril Ramaphosa e Masoud Pezeshkian. Entre os representantes estrangeiros, esteve o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Reforma da ONU e papel do Brasil no Conselho de Segurança
Outro eixo destacado é a defesa da reforma do Conselho de Segurança da ONU, buscando torná-lo mais democrático, representativo, eficaz e eficiente, com maior participação de países em desenvolvimento. O texto salienta o apoio de China e Rússia às aspirações do Brasil e da Índia para assumir um papel maior na ONU, incluindo o Conselho de Segurança, embora não mencione explicitamente a entrada do Brasil como membro permanente.
Tarifaço e direitos de comércio internacional
O documento também critica o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais que distorcem o comércio e ferem as regras da Organização Mundial do Comércio. O texto não cita nominalmente os Estados Unidos, mas aponta que, entre os principais alvos do tarifazo, estão o Brasil, a China e a Índia.
Moedas locais e panorama financeiro
A declaração cita a busca por mecanismos eficientes de pagamentos transfronteiriços em moedas locais. Não há menção à criação de uma moeda comum do Brics nem à substituição do dólar nessas operações.
Combate à desigualdade e propostas para governança global
O 15º parágrafo ressalta que erradicar a pobreza em todas as suas formas é o maior desafio global para o desenvolvimento sustentável. O Brics registra a proposta do Brasil e da África do Sul para estabelecer um painel internacional sobre desigualdade, indicando compromisso com ações concretas nesse campo.