O dólar comercial à vista fechou em forte alta nesta quarta-feira (23), pressionado pela valorização da moeda estadunidense no exterior, pelo cenário eleitoral no Brasil e pela alta do petróleo.
A divisa subiu mais de 1%, aproximando-se de R$ 5,17. A bolsa brasileira caiu quase 1%, recuperando parte das altas recentes.
Nos EUA, o PMI avançou para 58,4 em setembro, contribuindo para a elevação dos rendimentos dos Treasuries e sustentando a demanda por ativos em dólar.
Dólar e Ibovespa
O dólar comercial à vista ganhou força ao longo da sessão e atingiu a máxima de R$ 5,177 por volta das 14h40, antes de fechar em R$ 5,169, com ganho de 1,27%. O movimento acompanha a valorização mundial da moeda norte-americana.
A Ibovespa fechou em queda de 0,86%, aos 185.814 pontos. A oscilação do índice variou entre a máxima de 188.772 pontos e a mínima de 185.676 pontos. O volume financeiro do dia ficou em torno de R$ 29,68 bilhões.
Mercados internacionais e motivos
No exterior, o dólar retraiu ou valorizou-se conforme o índice DXY subia cerca de 0,54%, para 101,090 pontos, próximo dos maiores níveis desde julho. Dados de atividade dos EUA contribuíram para o movimento: o índice de gerentes de compras (PMI) avançou para 58,4 em setembro, frente a 56 em agosto, sinalizando expansão da atividade econômica com leituras acima de 50.
Esses dados reforçaram expectativas de juros elevados nos EUA por mais tempo, levando ao aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e fortalecendo a demanda por ativos denomindos em dólar. O clima externo também foi pressionado pela alta do petróleo e por tensões entre Estados Unidos e Irã, além de preocupações com inflação global.
Petróleo e tensão geopolítica
O petróleo registrou alta de quase 3%, com o Brent chegando a US$ 98,12 por barril e o WTI avançando para US$ 92,16. A elevação ocorreu mesmo com frustrações nas negociações entre EUA e Irã, que não apresentaram progresso suficiente para uma solução de curto prazo do conflito no Oriente Médio.
Ainda conforme o balanço diário, havia relatos sobre possível restrição às exportações de diesel dos EUA, embora a Casa Branca tenha negado esse plano. Paralelamente, o Departamento de Energia dos EUA informou aumento de 2,969 milhões de barris nos estoques de petróleo, contrariando a previsão de queda de 500 mil barris.
Conexões com o cenário brasileiro
O movimento de alta do dólar e a queda da bolsa foram influenciados pela percepção de que as altas dos juros nos EUA podem permanecer por mais tempo, o que tende a atrair capital para ativos em dólar e provocar fuga de capitais de mercados emergentes como o Brasil.
Além disso, as pesquisas eleitorais no Brasil contribuíram para o humor dos investidores, integrando o conjunto de referências que moldam a direção do câmbio local no curto prazo.
Resumo de números e notas
Dólar comercial: R$ 5,169 (+1,27%)
Ibovespa: 185.814 pontos (-0,86%)
Petróleo Brent: US$ 98,12 (+2,84%)
Petróleo WTI: US$ 92,16 (+1,81%)
Dólar no contexto externo: DXY em 101,090 pontos (+0,54%)
PmI dos EUA: 58,4 em setembro (expansão)