Em um dia marcado por nervosismo tanto no mercado doméstico quanto no cenário internacional, o dólar comercial fechou em R$ 5,1931, com alta de 0,47%. A cotação começou o dia em R$ 5,16 e atingiu a máxima de R$ 5,202 por volta das 15h, configurando o maior nível desde o fim de agosto.
O Ibovespa encerrou em 183.965,91 pontos, queda de 0,99%, após trajetória que levou o índice a uma máxima de 186.211,43 pontos e a uma mínima de 183.834,97 pontos. O recuo acompanha a piora do ambiente internacional para ativos de maior risco, especialmente entre mercados emergentes.
A movimentação ocorreu em meio à alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e ao avanço do petróleo. Além disso, investidores observaram as novas projeções econômicas divulgadas pelo Banco Central, bem como o cenário fiscal doméstico.
Contexto externo e impactos no câmbio
O dia foi de maior aversão a risco nos mercados globais, refletido na elevação dos juros dos títulos públicos norte-americanos e na alta do preço do petróleo. A elevação do rendimento do Treasury de dez anos para 5,2209% ao fim da tarde, ante 5,114% na sessão anterior, ajudou a manter pressão sobre moedas de países emergentes, incluindo o real. O índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de seis moedas, subiu 0,14%, para 101,270 pontos, por volta das 17h.
A valorizações do dólar no exterior contribuíram para que o câmbio brasileiro acompanhasse esse movimento de alta, ajudando a manter o dólar comercial em terreno mais valorizado ao longo do pregão. O endurecimento das condições globais de investidores de risco, somado à expectativa de juros elevados nos EUA, colaborou na trajetória de fortalecimento da moeda brasileira no curto prazo.
Atuação do BC e projeções econômicas
O Banco Central participou do mercado de câmbio com venda de US$ 1 bilhão em dois leilões de linha simultâneos, operação destinada a aumentar a oferta de moeda estrangeira e a liquidez do mercado, com compromisso de recompra em meses. O fluxo cambial de setembro, até o dia 18, mostrava-se negativo em US$ 7,078 bilhões, conforme informou o BC na véspera da operação. Além disso, o BC divulgou novas projeções econômicas, reduzindo a estimativa de crescimento do PIB para 2026 de 2,0% para 1,8%, mantendo a previsão de 1,4% para 2027.
Desempenho da bolsa e fatores internos
O Ibovespa encerrou em 183.965,91 pontos, com queda de 0,99%. O índice chegou a 186.211,43 pontos na máxima e caiu até 183.834,97 pontos na mínima ao longo do dia. O recuo acompanhou a piora do ambiente internacional para ativos de maior risco, explicada pela alta dos rendimentos dos títulos americanos, que reduziu a demanda por ativos de risco. O petróleo também trouxe pressões inflacionárias, elevando as preocupações com a inflação e, por consequência, com as expectativas para as taxas de juros.
Petróleo e cenário internacional
O petróleo Brent encerrou o dia em alta expressiva, de 3,41%, para US$ 106,60 por barril, marcando aumento de quase 4% na semana e cerca de 18% no mês. O WTI, referência dos EUA, avançou 2,65%, situando-se em US$ 94,61 por barril. As oscilações foram alimentadas pela incerteza sobre negociações entre Estados Unidos e Irã e pela possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz, principal rota de exportação de petróleo. Embora houvesse relatos de potenciais acordos para reabrir o estreito, a ausência de definição manteve a pressão sobre os preços.