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Ciência ainda não foi lembrada na campanha eleitoral, diz SBPC

SBPC critica marginalização de temas científicos no pleito e reforça a necessidade de discutir envelhecimento, transição energética, terras raras e preparação para crises sanitárias

Ciência ainda não foi lembrada na campanha eleitoral, diz SBPC

A presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, afirmou que a ciência ainda não entrou de forma relevante na campanha eleitoral brasileira. Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, ela destacou que temas vitais para o futuro do país, como envelhecimento populacional, transição energética e a capacidade de processar minerais críticos, ficam à margem do debate político. A dirigente ressalta a importância de regras estáveis, orçamento previsível e vigilância institucional para manter a ciência integrada ao projeto de desenvolvimento nacional, especialmente diante de cenários de crises sanitárias e climáticas.

Contexto e diagnóstico da SBPC sobre a campanha

Francilene Garcia, que desde 2025 preside a SBPC, afirma que a ciência depende de regras estáveis, orçamento previsível e atenção constante — elementos que não têm sido prioridade na campanha atual. Segundo ela, os escândalos e disputas entre grupos políticos desviaram o foco de temas vitais para o desenvolvimento do país, deixando a ciência em uma posição periférica.

Observatório das Eleições e propostas de políticas públicas

A SBPC criou o Observatório das Eleições para levar mais de uma centena de propostas de políticas públicas importantes para o desenvolvimento do Brasil. A iniciativa busca engajar candidaturas e qualificar o debate em torno de temas como mudanças climáticas e seus impactos urbanos, riscos de novas crises pandêmicas e transformação digital. A dirigente aponta que, até o momento, pouco mais de uma centena de candidaturas estão engajadas, com apenas uma candidatura de âmbito Executivo federal e nenhuma de governo estadual compromissada com as propostas da SBPC.

Desafios de pauta e participação de candidaturas

Francilene vê uma lacuna imensa entre as temáticas realmente relevantes para o futuro do país e o que tem sido discutido no debate eleitoral. Ela cita o aproveitamento de terras raras, fundamentais para a indústria de transformação digital, como exemplo de tema que não tem entrado nas campanhas. A dirigente ressalta que a crise institucional monopoliza a agenda pública, dificultando a introdução de temas como financiamento à ciência e infraestrutura de pesquisa.

Impacto da crise pública na fiscalização e nos debates

A participante destaca que não cabe à SBPC fazer julgamentos sobre processos investigativos em andamento, reiterando a necessidade de respeitar o rito processual e o direito à defesa. Ela critica a divulgação de informações que favorecem interesses específicos e afirmam que vazamentos podem esvaziar discussões sobre políticas públicas. A SBPC, junto à Academia Brasileira de Ciências e outras entidades, já divulgou uma nota conjunta sobre esse tema na semana anterior à entrevista.

Temas centrais que a SBPC defende para o Brasil

Entre os temas centrais destacados pela SBPC estão os impactos da crise climática e os riscos de eventos climáticos extremos para o Brasil e suas agroindústrias, bem como a necessidade de fortalecer o SUS e imunizações frente a futuras crises sanitárias. A entidade também enfatiza a transformação digital e os efeitos da inteligência artificial, perguntando que tipo de soberania o Brasil pretende construir nas próximas décadas. O debate sobre regulamentação da exploração de terras raras e o aproveitamento de reservas estratégicas são citados como pontos cruciais que não podem permanecer fora da agenda pública nas eleições.

Reflexões sobre o futuro do Brasil e soberania tecnológica

A SBPC alerta para cenários de longo prazo, como o envelhecimento da população, com mais pessoas acima de 60 anos em relação à faixa produtiva daqui a pouco mais de dez anos. A discussão envolve a possibilidade de o Brasil manter autonomia tecnológica e econômica, evitando depender exclusivamente da exportação de matérias-primas. Francilene questiona se o país, diante desse quadro demográfico, estará preparado para manter soberania e desenvolvimento sem que a ciência tenha sido efetivamente priorizada pela agenda eleitoral.