Samara Martins propõe dobrar salário mínimo e instituir escala 4x3

Plano de governo da candidata do Unidade Popular mira transformação estrutural da economia brasileira, com medidas consideradas radicais pelo texto divulgado pela Agência Brasil

Samara Martins propõe dobrar salário mínimo e instituir escala 4x3

Sob o título Unidade Popular pelo Socialismo, o programa de governo da candidata a presidente Samara Martins, do partido Unidade Popular (UP), apresenta explicitamente um projeto de transformação estrutural do modelo econômico e político brasileiro.

O documento, com 67 páginas distribuídas em 18 eixos temáticos, descreve medidas para alterar profundamente o modelo de mercado vigente, incluindo propostas de reindustrialização, reforma agrária e controle público de setores estratégicos.

O que está proposto sobre salário e emprego

No tema de trabalho e salário, a UP propõe dobrar o valor atual do salário mínimo de forma imediata, o que resultaria em um acréscimo exato de R$ 1.621, levando o novo salário mínimo a R$ 3.242. O plano também defende o fim da escala 6x1 e a adoção da escala 4x3 para todos os trabalhadores do país, além de assegurar a garantia de emprego para todas as pessoas adultas capazes de trabalhar.

Contexto econômico e público-alvo das medidas

O programa descreve a necessidade de enfrentar “todas as formas de exploração” e destaca a proteção de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais como parte de sua agenda social. Aduz ainda que o objetivo é superar desigualdades associadas ao capitalismo, com a proposição de direitos como saúde, educação, água, energia, saneamento, moradia, transporte, cultura e comunicação, tratados como direitos, não mercadorias.

Medidas econômicas amplas

Entre as propostas, o documento defende a suspensão imediata do pagamento da dívida pública e a realização de auditoria cidadã, com a indicação de redirecionar recursos para políticas sociais. A UP sugere nacionalizar bancos e estatizar o sistema financeiro, com fusão de instituições sob controle estatal e gestão dos trabalhadores, além de propor o fim da autonomia do Banco Central, subordinando políticas monetárias e cambiais ao desenvolvimento social.

Controle estatal de setores estratégicos

O texto prevê a reestatização de empresas privatizadas, citando Eletrobras e Petrobras para controle 100% estatal, bem como a retomada de empresas como Vale e de ferrovias, saneamento e telecomunicações. Propõe monopólio público em geração de energia, mineração, produção e distribuição de combustíveis e indústria de defesa. O programa também sugere o fim de novas privatizações e revisão das concessões privadas de portos, aeroportos e rodovias.

Transporte e infraestrutura

No transporte urbano, a UP propõe estatização das frotas, criação de empresas públicas e reestatização de linhas privatizadas de metrô e trem, com ênfase no fortalecimento da CBTU, empresa pública federal que administra linhas férreas em diferentes estados.

Tributação e renda

Na área tributária, o plano defende isenção do Imposto de Renda para trabalhadores, retirada de impostos sobre itens da cesta básica e produtos essenciais, além de instituição de tributação progressiva sobre grandes fortunas, lucros, dividendos e heranças de bilionários. Propõe também ajustes nos impostos ICMS/IVA, com redução de alíquotas e isenções para determinados produtos.

Direitos humanos e cidadania

O programa cita propostas de criminalização da misoginia, ampliação da rede de atendimento às mulheres, igualdade salarial entre homens e mulheres, rede pública de cuidados e descriminalização e legalização do aborto. Também aborda ações para população negra, demarcação de terras indígenas e titulação de territórios quilombolas, além de reforma agrária e nacionalização da terra.

Segurança, Justiça e cultura

Entre as medidas de segurança, o texto defende desmilitarização das polícias, reorganização de carreiras e mudança do modelo de segurança. O Poder Judiciário passería a ter eleição direta de juízes e tribunais superiores, com a revisão de salários acima do teto constitucional. Em cultura e comunicação, o programa propõe estatização dos monopólios de TV e rádio e apoio à imprensa comunitária, além de nacionalização de grandes gravadoras e produtoras cinematográficas.