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China busca conexão entre povos por meio dos grandes rios, com foco no Yangtzé e diálogo com Brasil

Fórum da Civilização do Rio Yangtzé em Chongqing reuniu especialistas, jornalistas e artistas de quase 20 países para debater a relação entre populações e os rios que os conectam

China busca conexão entre povos por meio dos grandes rios, com foco no Yangtzé e diálogo com Brasil

A China está promovendo conexões entre povos por meio da relação das populações com grandes rios do planeta. O rio Yangtzé, considerado a espinha dorsal da economia chinesa, serviu de ponto de encontro para convidados de países cortados por rios como Amazonas, Nilo, Danúbio e Mississippi.

No 4º Fórum da Civilização do Rio Yangtzé, em Chongqing, o Brasil teve papel de destaque, representado por pesquisadores e jornalistas. O evento ocorreu nesta semana na cidade com 32 milhões de habitantes e integra a estratégia da Iniciativa para a Civilização Global, lançada por Xi Jinping em 2023.

Convergência de povos por grandes rios

O Fórum, com o tema Conectando Rios e Mares, compartilhando a sabedoria das civilizações, reuniu especialistas, jornalistas e artistas de quase 20 países, entre eles Egito, Sérvia, Austrália, Reino Unido, México, Turquia e Coreia do Sul. O objetivo declarado é promover cooperação entre nações ao considerar as populações que vivem próximas a grandes rios e compartilhar trajetórias culturais e técnicas relacionadas à gestão de água, ecossistemas e recursos hídricos.

Brasil em destaque e participação do país

Representado por pesquisadores e jornalistas, o Brasil teve lugar de destaque no Fórum deste ano. A cobertura da Agência Brasil ressaltou visitas do grupo a experiências locais ao longo do Yangtzé e referências a aspectos históricos da civilização associada ao rio na China. A configuração do evento incluiu uma viagem de cruzeiro de aproximadamente 440 quilômetros pelo leito do Yangtzé, com paradas em pontos históricos como a fortaleza de Shibaozhai e o templo de Zhang Fei.

Rota Econômica do Yangtzé e contexto histórico

O Fórum também buscou projetar a chamada Rota Econômica do Yangtzé, conectando o interior da China ao porto de Xangai, destacando o papel do Yangtzé, com seus cerca de 6,3 mil quilômetros de extensão, como elo de integração entre regiões. A China apresenta o Yangtzé como parte de uma dupla lógica de civilização, ao lado do rio Amarelo, como berços da civilização chinesa milenar.

História ambiental e políticas de conservação

Os debates mencionaram desafios ambientais resultantes do desenvolvimento econômico rápido na região. Entre os problemas citados está a extinção, em 2006, de uma das três espécies de golfinhos de água doce do mundo, o Baiji, associado ao Yangtzé. O tema da sustentabilidade é vinculado à doutrina da civilização ecológica, que desde 2012 foi declarada prioridade nacional e, em 2018, incorporada à Constituição como política de Estado permanente. O debate destacou que houve mudanças significativas, com a implementação de medidas para proteger o ambiente, incluindo a proibição da pesca profissional por mais de uma década e projetos de recuperação do rio.

Diálogo com especialistas estrangeiros e lições para o Brasil

Especialistas egípcios presentes no encontro compartilharam metodologias de medição de águas do Nilo para antever secas e enchentes, destacando a importância do intercâmbio de saberes para a proteção de rios e comunidades. A professora brasileira Vera Maria Ferreira da Silva (INPA) ressaltou que a industrialização e urbanização associadas à navegação no Yangtzé impactaram a fauna local, destacando que houve uma mudança de prioridades para conservação e restauração de ambientes. Ela destacou a necessidade de aprendizados com povos indígenas da Amazônia para orientar políticas econômicas e ambientais na região, buscando economias que contribuam para manter a floresta em pé e evitar impactos que levem à destruição ambiental.

Perspectivas sobre a região amazônica e documentário

Como parte do esforço de aproximação entre histórias de povos ribeirinhos, a mídia estatal chinesa WCICO está produzindo um documentário ainda a ser lançado, intitulado Quando o Yangtzé encontra o Amazonas. Vivian Yan, produtora da Bridging News, afirmou que a diversidade de comunidades ribeirinhas no Amazonas chamou a atenção, destacando que o rio é mais vibrante e multifacetado do que mostrado na televisão. Vera Maria defende que o Brasil pode aprender com a experiência chinesa para evitar erros e minimizar impactos ambientais na exploração econômica da Amazônia, enfatizando a importância de economias que mantenham a floresta em pé e a proteção das comunidades locais.

Visões de especialistas brasileiros sobre o equilíbrio entre desenvolvimento e proteção

O pesquisador André Pereira Reinnert Tokarski (Unialfa) aponta a necessidade de encontrar um caminho do meio para a Amazônia, reconhecendo que tanto a exploração predatória quanto a rejeição completa de atividades econômicas geram impactos. Ele pondera que qualquer atividade humana provoca impacto ambiental, mas evitar a miséria de populações locais também é fundamental. Tokarski aponta ainda que a Amazônia, apesar de ter abundância de água, apresenta altos índices de uso de diesel para geração de energia, razão pela qual o debate sobre desenvolvimento precisa considerar impactos socioambientais.